quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Aprendendo a só ser

Regina M. Azevedo

"Ecoa na minha cabeça a voz vibrante de Alceu Valença cantando o refrão: "A solidão é fera, a solidão devora/ É amiga da noite, prima-irmã do tempo/ E faz nossos relógios caminharem lentos/ Causando descompasso no meu coração..."

De fato, quando se está desesperadamente só, o tempo custa a passar.

As noites são intermináveis e em geral velamos por elas como se, ao encará-las, acelerássemos o relógio, trazendo a luz do novo dia e renovando as esperanças.

Dor de solidão é visceral porque nenhum sentimento é experimentado tão intimamente.

Medo, raiva, amor, alegria quase sempre são exteriorizados e compartilhados.

Abandono, impotência e amargura ficam corroendo os solitários, arrastando-os ao fundo do poço como uma âncora da qual não se pode libertar.

Que caminhos nos conduzem à solidão?

Em muitos casos, "estar sozinho" não é sinônimo de "ser solitário".

E há muita gente que experimenta a contragosto este sentimento, mesmo estando acompanhada...

Há dois tipos básico de solidão:

O primeiro é fruto de carências e do sentimento de abandono desenvolvido na infância, que reflete a história pessoal do indivíduo, o modelo de mundo criado a partir das experiências do seu passado.

O segundo é resultante de um processo de diferenciação do ser humano: quanto mais elevado o seu nível de consciência e compreensão, maior a dificuldade de encontrar interlocutores para partilhar idéias e expectativas.

Apesar de todos os seus conhecimentos, esse indivíduo se vê, aos poucos, "falando com as paredes" e vai se fechando.

Pode chegar ao extremo de tentar refrear seu desenvolvimento ou até mesmo regredir, para novamente se integrar à massa dos "simples mortais".

Tentativas assim, em geral, resultam inúteis.

Esse tipo de solitário precisa entender que pessoas diferenciadas existem em menor número mesmo.

O remédio é persistir na procura e fluir com o tempo..."

Nenhum comentário:

Postar um comentário